sábado, janeiro 29, 2005

de novo, mais uma vez, só que com você

empírico total
reiventei o amor
de um dia pro outro eu seco de desejo
sou uma busca constante por ar
o ar me falta
me falta e eu não respiro
não respiro e te desejo
muito
de forma intensa
quase igual as anteriores
mesmo assim fica tudo diferente.
Te quero de todas formas e sofro
Desejo que não vem
Carência que não passa
Aparece por favor...
me desespero na tua ausência...

eu morro.

sábado, janeiro 15, 2005

Dentro de um quarto

música boa
cheiro bom
meia luz
um futuro bem futurístico pela frente

eu brinco de me esconder do presente. é engraçado.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

E ela respondeu...

Inteirou-se de todos os objetos que a cercavam. Imitou a todos. Falou com todos. E descobriu-se assim, objeto. Alguns tinham nomes: José, André e se diziam seus irmãos. Foi cadeira, mesa, sapato. Até que lhe chutaram dizendo: você é gente. E ela respondeu: O que é gente?

sábado, janeiro 08, 2005

Sobre sete de janeiro

Hoje ficaríamos eu, Clarice, elas + a música.
Escreveríamos nossas próprias tristezas
Gravaríamos na própria voz o que ainda não conseguimos entender.
A música, no entanto, decidiu piorar.
Foi da perfeição ao fundo do nada... notas silenciosas que mal se podiam ouvir.
Esgotou-se, por fim, num vazio mudo e negligenciado.
Ainda tínhamos elas - que aos poucos esvaíam-se - e não tinha como controlar mais porque aos poucos mesmo acabavam sendo menos nossas.
Por último e logo a sobriedade abateu-se sobre mim,
veio lenta mas chegou letal.
Aguda,
Rápida,
Crise,
BUM!
Me jogou no chão e eu estava nua defronte a uma estranha multidão
All I ever wanted All I ever needed
Não estava mais lá.
Num subto movimento me percebi segurando algo nas mãos.
Is here in my arms
De repente, meio que assim como ninguém-quer-nada, repousei o livro sobre a mesa. Coinscidentemente - ou não - a capa ficou virada para cima. Lia-se: A PAIXÃO SEGUNDO G.H.
Nem Clarice me compreende mais.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

O jeito de ficarmos juntos


E nós dois que tínhamos tantos planos ...
(hoje em dia mal nos cumprimentamos)
Quando eu te vejo - e se vejo - passando assim por acaso na rua
é de um tipo de nada que me lembro.
Um sentimento esquisito, agudo, me vem antes de qualquer palavra.
Até sorrir fica difícil.
Mas é que você ainda me abala..
tantos anos e ainda me abala;
me faz parar pra pensar por que é que tudo tem que ser assim vivido tão
sofrido entre nós dois.
A graça da nossa história é que isso tudo nunca teve graça alguma... mas
ainda assim, insistimos em tentar nos convencer.. eu a voce.. voce a mim. E
quando um consegue convencer ao outro, aí já é tarde sempre... e fica sem graça
mesmo.
Não sei se é bom ou ruim saber que esse nosso enredo é um daqueles
monótonos, repetitivos, por vezes intenso, mas na maior parte do tempo,
chato.

E hoje, mais uma vez, eu te esqueço.

Página 36

Joguei o cigarro aceso para baixo, e recuei um passo, esperando esperta que nenhum vizinho me associasse ao gesto proibido pela portaria do edifício. Depois, com cuidado, avancei apenas a cabeça, e olhei: não podia adivinhar sequer onde o cigarro caíra. O despenhadeiro engolira-o em silêncio. Estava eu ali pensando? pelo menos pensava em nada. Ou talvez na hipótese de algum vizinho me ter visto fazer o gesto proibido, que sobretudo não combinava com a mulher educada que sou, o que me fazia sorrir.

[A paixão segundo G.H.]