Sobre sete de janeiro
Hoje ficaríamos eu, Clarice, elas + a música.
Escreveríamos nossas próprias tristezas
Gravaríamos na própria voz o que ainda não conseguimos entender.
A música, no entanto, decidiu piorar.
Foi da perfeição ao fundo do nada... notas silenciosas que mal se podiam ouvir.
Esgotou-se, por fim, num vazio mudo e negligenciado.
Ainda tínhamos elas - que aos poucos esvaíam-se - e não tinha como controlar mais porque aos poucos mesmo acabavam sendo menos nossas.
Por último e logo a sobriedade abateu-se sobre mim,
veio lenta mas chegou letal.
Aguda,
Rápida,
Crise,
BUM!
Me jogou no chão e eu estava nua defronte a uma estranha multidão
All I ever wanted All I ever needed
Não estava mais lá.
Num subto movimento me percebi segurando algo nas mãos.
Is here in my arms
De repente, meio que assim como ninguém-quer-nada, repousei o livro sobre a mesa. Coinscidentemente - ou não - a capa ficou virada para cima. Lia-se: A PAIXÃO SEGUNDO G.H.
Nem Clarice me compreende mais.

1 Comments:
vc eh minha poetisa preferida!! :)
e eu sou péla-saco com orgulho! :)
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